Era uma vez um final de junho em 1958. Eu tinha 07 anos de idade e morria de frio, como todo mundo em Vila Velha. De tanto não ter o que fazer, já que a gorotada toda na rua e, os adultos todos, não estavam ligando para nenhuma criança; tudo o que queriam era ligar o rádio e ficar ouvindo um locutor chamado Braga Júnior que estava narrando uma partida de futebol. Sabia eu lá porquê.
Tinha uns caras em bar ( Bar do João Cyprestes) jogando baralho e ao mesmo tempo ouvindo um rádio chiando em cima da mesa .Na verdade, por mais que nao entendesse aquele dia, sabia sim que tinha algo diferente no ar.
De repente, uma gritaria , uma doideira geral em Vila Velha. Tinha bomba cabeça-de-nego, busca-pé, foguetões, e muito talco jogado na cara das pessoas , e elas nem ligavam , apenas riam e se abraçavam e cantavam e festejavam. Mas o que estava acontecendo? Não entendi, fui pra casa perguntar a minha mãe Neni, mas ela como toda boa dona de casa não era ligada em rádio e nem sabia de nada. O dia acabou e fui dormir.
Era uma vez, eu agora com 11 anos e no quarto ano primário do glorioso Grupo Escolar Vasco Coutinho , estava sentado junto aos outros alunos no patio da escola para assistir um filminho de como escovar os dentes , como se portar para cantar o Hino Nacional, essas coisas, quando surge umas notícias de como o Brasil havia se tornado o campeão mundial de futebol , em 1958, na Suécia , de como o craque Pelé de 17 anos , junto com Garrincha , Zagalo e outros eram desde aqueles tempos nossos heróis , nossos hercúleos defensores nacionais.
Gente, foi nesse dia, nesse filme em preto e branco que fiquei sabendo a causa da alegria daquela data , que não me saia do pensamento . Foi ali naquele lugar que entendi a alma do povo, vibrando, cantando, por um feito de nossa seleção de futebol em campos europeus.
Era uma vez hoje, sem filmezinho educativo, sem patio de escola, sem povo alegre nas ruas, sem saber se encontro por aí algumas páginas perdidas, algumas amizades perdidas, algum radinho de galena que fale e me indique o caminho do passado. Tempinho bom, a gente nem sabia que se acabaria um dia. Era uma vez.presentacion_academia.html